| Ambiente - 07-03-2008 - 16:10 |
"Há alguns anos, os biocombustíveis eram considerados como a solução para o aquecimento global. Actualmente, há quem diga que não são a solução, mas sim uma parte do problema". Foi com estas palavras que a eurodeputada neerlandesa Dorette Corbey descreveu a evolução das opiniões sobre os combustíveis produzidos à base de vegetais. Os biocombustíveis são um progresso ou uma ameaça? No dia 4 de Março, o PE organizou uma audição sobre o tema.
As economias e estilos de vida actuais baseiam-se no petróleo e no gás, dois recursos esgotáveis cada vez mais caros.
O que são os biocombustíveis?
Os biocombustíveis são produzidos à base de plantas energéticas, como é o caso do milho, dos cereais, das beterrabas açucareiras e das plantas oleaginosas. Os mais utilizados são o biodiesel, fabricado a partir de soja ou de colza, o bioetanol, produzido à base de milho ou de beterraba, e os óleos vegetais puros. Essencialmente utilizados no sector dos transportes, os biocombustíveis podem ser utilizados puros em motores adaptados para o efeito, ou misturados com diesel ou com gasolina.
As vantagens
Além de permitirem reduzir a dependência energética em relação aos combustíveis fósseis, os biocombustíveis são produzidos a partir de plantas que absorvem CO2 e permitem a produção de combustíveis que não emitem gases com efeito de estufa, os principais responsáveis pelo aquecimento global. Esta característica dos biocombustíveis fez com que, em Março de 2007, os Estados-Membros da UE reunidos em Conselho adoptassem um objectivo vinculativo de utilização de, pelo menos, 10% de biocombustíveis, nos combustíveis utilizados no sector dos transportes, até 2020.
As desvantagens
Apesar das vantagens apontadas, a utilização de biocombustíveis é um tema controverso. Em primeiro lugar, porque a produção de biocombustíveis consome muita energia e baseia-se em culturas intensivas, que produzem um gás com efeito de estufa, o óxido de azoto, que também tem efeitos no aquecimento global. Além disso, muitas das terras utilizadas para o cultivo das plantas eram anteriormente regiões com grande capacidade de absorção de CO2, como é o caso das florestas tropicais. Para ter uma ideia da extensão e do impacto dos efeitos perversos dos biocombustíveis, basta analisar a desflorestação da América Central e da Ásia. Outras desvantagens apontadas dizem respeito à poluição provocada pelas culturas intensivas, ao elevado consumo de água e à perda da diversidade biológica e dos habitats alimentares. Existe ainda o receio de que a utilização das culturas para produção de biocombustíveis venha a provocar a falta e o consequente aumento do preço dos produtos agro-alimentares.
Uma grande diferença nas emissões relativamente aos combustíveis tradicionais?
Durante a audição realizada no Parlamento Europeu, os peritos levantaram uma questão muito precisa: será a diferença dos níveis de emissão de gases com efeitos de estufa entre os biocombustíveis e os combustíveis tradicionais suficientemente elevada para justificar o apoio público? Apesar de a Comissão Europeia ter indicado que uma redução de 30% das emissões seria suficiente para validar o interesse dos biocombustíveis, no relatório da eurodeputada Dorette Corbey, os membros da comissão parlamentar do Ambiente indicam que essa percentagem deveria ser, no mínimo, de 50%.
O impacto ambiental
Como garantir que o cultivo das terras para produção de biocombustíveis não terá efeitos nefastos para o meio ambiente? A maioria dos participantes concorda que "tudo depende de uma boa cultura, de um bom local e do volume de produção". Apesar dos efeitos nefastos apontados relativamente aos biocombustíveis, Dorette Corbey considera que "ainda há esperança em relação aos biocombustíveis, mas é necessário distinguir entre os que são positivos e os que são negativos ". O seu relatório será debatido em plenário, no âmbito da revisão da directiva sobre qualidade dos combustíveis.


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